ARTIGO - Frequentadores de Rotary - Jerry T. Mill
Todo final de junho ou início de julho é assim. Nas respectivas retas final ou inicial de mais um ano rotário, milhares de clubes de serviço que seguem o ideal de Dar de Si Antes de Pensar em Si dão posse a um novo (ou uma nova) Presidente e seu Conselho Diretor. Nessa mesma ocasião, geralmente uma festiva, também são empossados novos membros, homens e/ou mulheres, que passam a ser oficialmente chamados de rotarianos ou rotarianas, companheiros ou companheiras.Nessa mesma época, também tomam posse centenas de governadores (ou governadoras) distritais ao redor do mundo e ascende ao cargo máximo da instituição mais um (ou uma) Presidente do RI (Rotary International). Então, seguindo uma tradição centenária, caso tudo transcorra como o esperado, esses ou essas líderes permanecerão nas suas posições por um ano inteiro, servindo como uma espécie de guia para dezenas, centenas, milhares ou até mesmo mais de 1,2 milhão de associados espalhados pelo planeta.
Nesse universo que engloba tanta gente, cabe a quem assume a Presidência dos clubes agir localmente; é função de quem está na Governadoria cuidar da sua região (ou distrito); e, por fim, é prioridade de quem assume a Presidência do RI indicar o caminho a ser seguido nesse período de doze meses. Caminho esse em que, como já alertava o eterno Carlos Drummond de Andrade em seu poema, tinha uma pedra – e outra, e outra…
Assim como acontece na vida real, nem tudo sai como programado no Rotary. Algumas surpresas negativas podem surgir aqui e ali, cabendo aos/às líderes e suas respectivas equipes tomarem as medidas necessárias para resolver ou remediar cada situação. Uma delas tem a ver com a (alta?) rotatividade de associados e associadas no decorrer do ano rotário. Outra delas está ligada ao não comparecimento aos eventos de maior envergadura da instituição, como a Conferência Distrital e a Convenção Internacional. Pior que isso é não manter a própria presença/frequência nas reuniões semanais da entidade.
A propósito, o que sempre me chamou a atenção, desde que eu ingressei nas fileiras rotárias, em 2012, dear reader, foi o fato de ter de conviver com companheiros e companheiras que assumem o papel de meros frequentadores do clube a que pertencem. Embora isso seja algo comum e até compreensível/aceitável nos primeiros meses após a posse ou até mesmo depois de décadas de serviços prestados, tal conduta chega a ser constrangedora nos (poucos?) casos que podem ser notados e anotados, em maior ou menor número, praticamente em todos os clubes de Rotary que existem na nossa cidade e região.
Voluntários e voluntárias por natureza, ocorre que nem todo/toda fellow Rotarian costuma manter na sua memória de longa duração tanto o juramento quanto o compromisso firmado perante o clube, os demais membros e principalmente a sua comunidade. É nesse momento que devem entrar em ação os padrinhos e as madrinhas, companheiros e companheiras mais próximos ou, se for o caso, quem sabe até mesmo o governador ou a governadora assistente. Obviamente, algo precisa ser feito!
O fato inconteste é que, quando o americano Paul Percy Harris (1868-1947) deixou o seu legado para o mundo, ele não conseguiu viver o bastante para ver as coisas extraordinárias que aconteceram à organização além da metade do século XX. O mesmo vai ocorrer com cada um de nós: como sabemos, nossos dias, meses e anos sobre a Terra estão contados. De modo similar, por diversas razões, não seremos rotarianos e rotarianas para sempre. Assim, temos a oportunidade de criar esperança no mundo a todo instante. E certamente não será apenas como quem apenas frequenta um Rotary Club que vamos conseguir fazer isso. É preciso ser efetivamente representativo ou representativa, bem como participativo ou participativa. Um rotariano ou uma rotariana de verdade…
Em suma, é preciso ir além dos próprios interesses, do tal networking e principalmente do suposto querer!
P.S.: Crie Esperança no Mundo é o lema anual do Presidente 2023-24 do Rotary International, o escocês Gordon R. McInally.

(*) Jerry T. Mill é presidente da ALCAA (Associação Livre de Cultura Anglo-Americana), membro-fundador da Academia Rondonopolitana de Letras (ARL) e associado honorário do Rotary Club de Rondonópolis
FONTE: https://www.atribunamt.com.br/opiniao-do-leitor/2023/07/frequentadores-de-rotary/






